quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sertralin

Ontem, foi o primeiro dia do Sertralin no estômago dela. Sim, foi no estômago o único sintoma que ela realmente conseguiu perceber após a ingestão do tal anti-depressivo. No começo, ela pensou que poderia ficar chapada, numa onda; depois pensou que fosse ficar feliz da vida, eufórica, quase em êxtase. Mas, pensou melhor e se sentiu a pior das fêmeas. A pior mulher, a pior mãe, a pior esposa, a pior amiga, a pior filha-de-Deus e também a pior puta. O maldito do comprimido não é Miojo, ela sabia disso. Enquanto o emocional fritava em mais um dia ensolarado, o corpo se arrastava pela casa com o estômago onipotente e onipresente. Almoço e jantar não estiveram presentes. Ao longo do dia, ela esperou e esperou ansiosamente o efeito da Sertralin: diminuir a angústia, o pânico e a depressão. Puta da vida, se viu presa numa condição humilhante e miserável: a humana. Naquele instante, desejou tornar-se uma crisálida. Mas... preferiu dormir sem escovar os dentes.

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